• Gabi Bigarelli

Gabi Bigarelli, por ela mesma

Atualizado: 2 de fev.



Sempre que estou com uma taça de vinho nas mãos, vivo a experiência de mergulhar em histórias, sabores, culturas.

Esta bebida, que hoje está presente em cada pedacinho da minha vida, vem construindo seus laços comigo desde sempre e hoje vou compartilhar um pouco da minha trajetória com vocês.

Meus pais têm uma história de descendência italiana, por isso, massas e vinhos sempre foram o ponto alto das nossas reuniões.

Quase como uma tradição sagrada, nunca podia faltar uma boa espécie de vinho à mesa para testemunhar os encontros familiares.

O macarrão que vovó fazia, artesanalmente, era divino. O molho, muito apurado, exalava um aroma indescritível e nós, os filhos e netos que por lá almoçavam, nos lambuzávamos.

Um costume que minha avó insistia em manter era reunir o pessoal uns dias antes do Natal e fazer “capeletti in brodo”. Meu avô pingava umas gotas de vinho naquele caldo e o deixava delicioso.

Por muitas vezes, alguns primos que moravam em Polisella e Rovigo, na Itália, vieram nos visitar no Brasil e o contato com eles enriqueceu minhas percepções e despertou minha vontade de viver novas possibilidades.

Com desafios financeiros aqui no Brasil, foi então que parti para aquele país em busca de novos ares, novas linguagens, novos sabores, novos amores, reminiscências do seio familiar, culinária, vinhos…

Na Itália eu tinha que trabalhar – não era uma simples turista. Meu objetivo com aquela mudança era viver lá para adquirir experiências que me valessem para o futuro.

E posso dizer que fiz de tudo um pouco. Colhi azeitonas, trabalhei em restaurantes, estudei a nova língua, frequentei cursos de degustação de vinhos e visitei vinícolas maravilhosas.

Nesta época, já sentia aflorar em mim a paixão pela bebida e sua harmonização.

Acredito que as pessoas costumam traçar objetivos e vão em busca deles. No meu caso, aconteceu o contrário.

Nunca tive como objetivo me transformar em uma “expert” em vinhos, queria experimentar o mundo com todos os seus sabores.

Segui minha vida trabalhando, estudando e, quando menos esperei, comecei a me destacar nessa profissão e a ter parceiros especiais que confiam muito no trabalho que faço.



Treinar os sentidos foi uma das coisas mais legais que encontrei nesse caminho: as cores, a memória olfativa, o paladar, o tato, a percepção, os sons...

Tudo isso faz parte não só do meu trabalho, mas da minha vida por inteiro. Treiná-los não foi fácil, mas hoje a recompensa é imensa, pois, os meus sentidos me transformaram em uma pessoa mais atenta, mais sensível, mais humana e, sem dúvida, uma pessoa mais completa.

O mais envolvente é poder compartilhar tudo isso com as pessoas.

Em meus cursos e palestras, trabalho para que todos sintam emoção e, sobretudo, criem um amor pelo vinho, acredito que vinho é vida, é arte pura!

Um dos cursos que ministro tem uma característica bem legal e diferente: comparo a personalidade das pessoas com a personalidade das uvas. Pode acreditar: tem tudo a ver e é emocionante!

Os participantes se apaixonam ao perceberem que, de fato, aquela uva tem a sua personalidade.

As escolhas que faço são muito bem pensadas (e sentidas!), aquele vinho escolhido para importação precisa ser perfeito. Costumo dizer que eu tenho que ver estrelinhas, caso contrário, aquilo não me faz acreditar que vai dar certo.

O mesmo acontece quando presto uma consultoria para algum restaurante ou hotel. Tenho que conhecer as pessoas que ali estão, sentir o clima, ter boa percepção do lugar.

Chega a ser engraçado como os laços profissionais rapidamente se transformam em laços afetivos. Sempre me envolvo tanto com as pessoas que conheço, que hoje muitas delas fazem parte da minha vida.

No meu trabalho, minha doação é total em todos os momentos e sentidos. Hoje o que realmente importa é manter minha alegria e simplicidade para que essa paixão nunca acabe.


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